quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A besta

Todos vestiam preto,apenas ela de branco destoava da multidão.Todos com pressa,ela lenta.Todos olhando estranhamente a ela,como se ela não fosse humana.Talvez ela não fosse, ou era eles que não eram? Pouco disto importava, ela estava pensando em acabar com toda a hostilidade que ela sentia vir dos outros.Fazer dela mesma uma besta, pois assim saberia que se livraria da dor existencial que a perseguia desde que se viu nesta sociedade.
Então foi o que fez: perdeu totalmente a razão, já não ligava mais para o certo ou o errado que lhe ensinaram quando criança.Era realmente como um animal, instintiva, virou o que antes era seu pior pesadelo.
Ninguém mais se dirigia a ela, se afastou totalmente da sociedade e entrou em seu pequeno mundo que era seu apartamento.
Mas um dia a porta de madeira apodreceu e a toca se abriu.Ela foi até a rua como num instinto de encontrar alguém que ignorasse tudo que a sociedade impusera, mas os normais se assustaram com a rebeldia da besta e a mataram.

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