A verdade
segundo Michel Foucault é uma construção humana. Dessa forma, o que é
considerado verdade varia de indivíduo para indivíduo conforme aspectos históricos,
sociais e religiosos. Dessa forma, o que é verdade pode ser manipulado
facilmente com outros fins.Exemplo claro de manipulação foi o realizado pelas propagandas nazistas, que reforçavam um preconceito pré-existente e moldavam a personalidade das pessoas para apoiarem o regime. Isso só foi possível devido ao fato dos humanos se construírem a partir das verdades. Como no quadro ''Soft Self-Portrait'' de Salvador Dali, no qual o rosto se molda apoiado em varetas. Esses apoios representariam metaforicamente as verdades individuais que sustentam o que seria a pessoa. Essa, por sua vez, é tão mutável quanto a própria verdade que a sustenta, por isso a aparência do rosto estar se derretendo no quadro. Segundo a psicanálise, os homens ao construírem a sua identidade partem da imitação de padrões sociais de convívio e incorporam certas verdades essenciais para embasarem suas ações e pensamentos. Então quem controlasse essas verdades que constituem o ser teria um enorme poder em mãos.
É visível a verdade como ferramenta de poder no caso recente da polêmica dos dados de divulgação do IPCC. Há indícios de que houve fraudes nos dados para tornar o aquecimento global uma preocupação maior e desencadear ações mais efetivas de combate a ele. Foi o que de fato ocorreu, com o falseamento de certas informações os cientistas conseguiram um frenesi midiático e atingiram seu objetivo implícito. Saindo do mérito da ética na ciência, se até uma organização respeitada, até o recente escândalo, pelo mundo todo foi capaz de manipular as verdades divulgadas, porque isso não ocorreria em outros âmbitos?
Portanto, conforme os versos do poema de Fernando Pessoa ‘’Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?/Será essa, se alguém escrever, a verdadeira história da humanidade’’ a verdade é construída e manipulada pelo próprio homem. Esse também se constrói a partir dela e é manipulado por ela também. Então, a relação entre a verdade e o ser humano é ambígua onde hora a criatura se volta contra o criador, em uma espécie de Frankenstein que assombra a existência humana e da qual a dependência não podemos nos livrar.
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